ÍNDIO NA ESCOLA

sem fantasia entre cadernos e rio

 

Quinze anos atrás, quando, nos horários de folga, a equipe que eu integrava ia descansar um pouco durante o intenso trabalho em área indígena, víamos muitos grupos de crianças andando pela aldeia ou nadando na beira do rio a qualquer momento do dia, um jovem amadurecimento nos aprendizados tradicionais. Hoje em dia há um certo silêncio na aldeia, não se ouve mais o zumzumzum dos pequenos, estão na escola a entender nosso mundo sem entendimentos. A escola virou um lugar importante na comunidade, tudo se perfila.

O índio na escola revela novas perspectivas na aldeia, a paisagem sendo reelaborada em suas alternativas, ou como escreveu Bartomeu Melià,  não há um problema de educação indígena, há sim uma solução indígena ao problema da educação.

Novos caminhos interpelam os povos indígenas e o desafio se coloca na proteção da transmissão de seus saberes primordiais. Como sentar-se em uma cadeira estática por horas a fio e manter aceso o conhecimento tradicional para a sobrevivência?

A racionalidade dos povos tradicionais foi por séculos negada e apenas agora vemos uma possível aceitação de uma filosofia indígena por parte da academia. O ocidente desqualificou toda a capacidade originária na América do Sul ou África, território de colônias seculares, os caminhos da liberdade e a idade da razão encontram aqui seu dilema. A escola é sem dúvida um instrumento para os povos indígenas se resguardarem  no avanço de outras culturas, mas o que há de sorrateiro nesse modelo?

Antes eram arco e flecha com bola de cera na ponta que se entregavam às crianças para aprenderem a caçar em diversão. Hoje é caderno e lápis, horários para atividades e o momento para a merenda, nem tão admirável é o mundo novo que se apresenta na beira de rio.

A educação indígena viceja nas aldeias, e talvez esse seja o grupo de estudantes mais bilíngue do país, pois todos falam de dois a três idiomas, mas a poesia raleia entre os nativos. Na aldeia se estagia em outras formas e vicissitudes. Tudo desafia e se reinventa de A a Z, entre cartilhas e necessidades. 

Como o poeta Manoel de Barros, usarão a palavra para compor silêncios.

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