“Senhor juiz, não deixe que esse seja o nosso último sábado de brincadeiras em casa”

Por Camila Valones, especial para o Jornalistas Livres e para o Urgência 588

AS CRIANÇAS DA OCUPAÇÃO SÃO JOÃO 588 TALVEZ EM SUAS ÚLTIMAS BRINCADEIRAS DE SÁBADO

URGÊNCIA 588 – Era sábado, 25 de março. Um grupo de voluntários da ONG Ato Cidadão monta uma brinquedoteca no átrio da Ocupação São João 588, o antigo Hotel Columbia Palace. Abandonado por 27 anos, há sete o prédio é o lar de 250 pessoas que não tinham onde morar.

A reconstrução da vida e do edifício ao longo dos anos deu dignidade às 84 famílias. Todas as 33 crianças e os 13 adolescentes estão regularmente matriculados na rede pública de ensino. Os adultos, antes sem perspectivas, encontraram empregos, estudaram, se organizaram. Mesmo os com todo os estigmas sociais e a criminalização pelo poder público, se reconheceram como cidadãos e cientes de seu direito constitucional à moradia digna.

 

Preocupados com a continuidade dos vínculos estabelecidos entre as crianças e os serviços prestados pela rede de proteção local, o Conselho Tutelar da Região Sé, se posicionou contra a reintegração pedindo ao Sr. Juiz Carlos Aleksander Romano Batistic Goldman, autor do Pedido de Reintegração, que reconsidere o despacho, zelando pela vida dessas crianças que já tem seus direitos violados em tantas outras questões sociais além do direito à moradia.

A tarde de brincadeira do sábado, no entanto, foi também protesto. Daqui a menos de uma semana, uma ordem de despejo pode dar fim à diversão. Uma ordem de reintegração de posse, expedida pelo juiz Carlos Aleksander Romano Batistic Goldman, foi encaminhada a todos os moradores da ocupação. O despejo está marcado para dia 1º de abril, o próximo sábado.

Curioso notar que o o Conselho Tutelar da Região Sé é contra a expulsão e pediu ao meritíssimo juiz Goldman que reconsidere o despacho, zelando pela vida das crianças que, além do direito à moradia, já têm tantos outros violados em outras questões sociais.

No documento enviado ao juiz, o Conselho afirma que na ausência do poder público executivo, as famílias ocupadas criaram seus próprios meios para organizar atividades comunitárias e culturais, garantindo esporte, lazer, cultura, respeito e convivência familiar e comunitária, conforme expressa o Estatuto da Criança e do Adolescente em seu artigo 4º.

 

Os ocupantes deixam claro que não têm intenção de prejudicar a negociação de desapropriação que entregaria o prédio ao uso de moradia popular. Querem apenas acomodar suas famílias e pagar por suas moradias e impostos de forma justa. Quanto às, especificamente, só querem brincar tranquilamente no próximo sábado. E muitos outros…

 

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