AS TROMBETAS DO APOCALÍPSE

o Pará e o aforismo no meio ambiente que nos abriga

Os rios amazônicos e os impuros meandros dos homens.

Pa’ra significa rio-mar na língua tupi-guarani, e o projeto de governo que ali se instalou, em 1616, visava a exploração das chamadas drogas do sertão, visando a exploração da biodiversidade amazônica que se expunha. A ocupação do vasto território se deu sobre a escravização ou massacre dos povos originários e expropriação de territórios. A província relegada à uma irrelevância política originou a revolta da Cabanagem entre sua população pobre e miscigenada que vivia em cabanas de barro no século XIX, vencida e levada ao extermínio em 1840. O imenso e riquíssimo território sempre foi palco de grandes investimentos exploratórios e assim continua se firmando, com mãos de ferro em seus desgovernos. Muitos foram os escândalos já denunciados em sua história de desenvolvimento.

Nos tempos atuais não é diferente. Três já são os anjos do apocalípse nesse mês de fevereiro, anunciando em suas trombetas os males que nos entorpece e embalam as insanidades com a terra, as águas e os ventos no Estado do Pará. Expõe-se na floresta milhares de tonéis de lixo tóxico rejeitados pelas empresas de todo país; ou à beira do rio sagrado dos indígenas do Xingu se anuncia a concessão de licença para se tirar o ouro da terra http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2017/02/governo-concede-licenca-para-belo-sun-extrair-ouro-na-regiao-do-xingu.html, bem como em gesto de astúcia e falsas intenções entronam ceifadores de árvores no comando de instituições ambientais.

Houvesse seriedade no tratamento da questão ambiental, no Brasil faríamos uma operação à la Lava a Jato entre as veredas do meio ambiente e seus minérios e preciosidades da terra. Tudo se destrói, se destitui, se imunda na pátria.

O abandono de milhares de tonéis de lixo tóxico no meio da floresta entre cursos d’água é inadmissível http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/edicoes/2017/02/02.html#!v/5621052, bem como o comando do desmatamento entre funcionários de órgãos ambientais, quando deveriam defendê-los http://www.portalparanews.com.br/noticia/pa/altamira/amazonia/acusado-de-promover-o-maior-desmatamento-da-amazonia-e-impedido-de-assumir-chefia-no-ibama, ou a exploração de minérios em territórios indígenas. Crimes ambientais nos condenam e a vastidão da Amazônia nos alimenta a ilusão que danos localizados não compromentem o todo. Nossos erros se espalham no caminho percorrido desde o ano 1500 e se perpetuam como sina. Pretendem nos dias de hoje, dizem manchetes garrafais, passar a nação a limpo, e se desviam na sujeira sob o tapete da história mocosada pelos marqueses e governadores da linha sucessória. É praxe na república conduzir homens que mandam na terra aos órgãos de comando, assim vemos nos ministérios e até no senado.

Entre o canto das águas ou pelos rios voadores que matam nossa sede e nos envolvem nas grandes cidades sob chuva plena, assistimos passivos o choro da floresta.  Como disse um dia o indígena Davi Yanomami, tudo nos condena, o ouro canibal e a queda do céu.

A aurora amazônica e o ouro que recobre nossas vergonhas.

Categorias
Meio Ambiente
Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

AfrikaansArabicChinese (Simplified)EnglishFrenchGermanItalianJapaneseKoreanPortugueseRussianSpanish