Autistas apresentam melhorias consideráveis com o uso do óleo de cannabis rico em CBD

Resultados parciais de “Estudo Observacional” sobre o uso de substância derivada da maconha para o tratamento do Autismo aponta para avanços relevantes.

Dezoito crianças e adolescentes do país, associadas da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal – AMA+ME, que sofrem com sintomas e problemas associados com Distúrbios do Espectro do Autismo (ASD), estão sendo acompanhadas pela coordenação médico científica da associação através de um estudo, tipo coorte prospectiva, coordenado pelo Dr. Paulo Fleury, médico epidemiologista, pesquisador e colaborador da AMA+ME. Todos participam de um estudo sobre o tratamento da doença por meio do Óleo de Cannabis rico em CBD (OC), conhecido como Canabidiol – produto derivado da maconha, com resultados preliminares que demonstram avanços e desafios.

Foto: Divulgação CBDRx

O grupo é formado na sua maioria por meninos, com idade média de 10 anos, residentes em três estados do país. Todos recebem doação do OC da marca CBDRx Prime Organics, da empresa norte americana CBDRx, sediada no Colorado (EUA), que é parceira na pesquisa. O tratamento foi buscado espontaneamente e livremente pelos responsáveis ​​pelos pacientes que obtiveram autorizações individuais de importação concedidas pela ANVISA. Tal medida adotada pela agência permitiu que a doação internacional fosse legalmente possível.

Os pacientes apresentam sinais e sintomas nucleares e um diagnóstico prévio de autismo e são acompanhadas regularmente desde a manifestação dos sintomas. A maioria deles faz uso regular de medicação antipissicótica, muitos utilizam mais de um medicamento. Perturbações do sono, agressividade, auto agressividade, estereotipias (movimentos, gestos, emissão de sons de forma repetitiva) e distúrbios de fala e interação são comuns à maioria. Um terço sofrem convulsões e são epiléticos refratários.

Resultados, ainda parciais e preliminares, apontam avanços: mais de 80% dos pacientes apresentaram melhorias consideráveis na redução da hiperatividade e dificuldade de concentração identificados pelos pais no registro da evolução mensal do paciente e pela avaliação clínica. Mais da metade apresentou melhorias quanto à redução e maior controle das estereotipias, agressividade e autoagressividade. Segundo observações preliminares, após análises dos registros do primeiro trimestre do estudo, também foram observadas melhorais nos distúrbios do sonso, performance cognitiva e até na autonomia da vida diária. Redução de crises convulsivas e redução de medicação também se destacam dentre os benefícios.

Em contrapartida, três pacientes tiveram o tratamento interrompido pelos responsáveis que atribuíram o uso do OC ao agravamento da condição geral, com agitação aumentada, estereotipias e crises emocionais.

Dos 15 pacientes que permanecem em tratamento, foram observados: sonolência, irritabilidade leve, aumento de apetite, dentre outros efeitos colaterais leves presentes em aproximadamente 20% dos casos.

Segundo Dr. Paulo Fleury, esses resultados preliminares corroboram que o OC é potencialmente eficaz para o controle de convulsões refratárias ao tratamento com outros agentes e também indicam, fortemente, eficácia no tratamento dos principais sinais e sintomas associados ao autismo: distúrbios do sono, agitação, estereotipias e comportamentos aberrantes (arrancar cabelos, unhas, bater familiares e cuidadores) e agressivos.

Deve-se notar que estes resultados indicam uma perspectiva de melhoria, mas não de cura ou eliminação dos problemas e dificuldades das pessoas com autismo. E, claro, o uso de OC não substitui o alto investimento em dedicação pessoal e cuidados intensivos multidisciplinares que são exigidos por esses pacientes.

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