10 coisas importantes sobre o reajuste do ônibus em SP

César Locatelli, especial para os Jornalistas Livres
tarifas

1 O reajuste para R$ 3,80 é ligeiramente menor que a inflação em 2014

O último reajuste da tarifa básica de transportes coletivos na capital foi em janeiro de 2015, quando passou a R$ 3,50. A nova tarifa aprovada para 2016 é R$ 3,80.

Se tomarmos só o período desde o último aumento (jan/2015 a jan/2016), verificaremos que a inflação foi acima de 10% e o reajuste aprovado é de 8,57%. Desse modo, o reajuste é ligeiramente menor do que a inflação no último ano. Para recompor a inflação, a tarifa deveria subir para perto de R$ 3,87.

2 A tarifa tem seguido a inflação, medida pela IPCA, nos últimos 11 anos

Se voltarmos para o início de 2005, quando a tarifa era R$ 2,00 e aplicarmos a inflação no período, chegaremos a R$ 3,75. Quase o mesmo valor aprovado agora. Podemos, dessa forma, afirmar que a tarifa tem seguido a inflação, medida pela IPCA, nos últimos 11 anos.

3 Usuários dos bilhetes temporais não terão reajuste

Os bilhetes temporais (mensal, semanal e 24 Horas) não foram reajustados em 2015 e não serão reajustados agora. Assim o valor para o cartão mensal, válido por 31 dias para metrô ou ônibus, permanecerá em R$ 140,00. O cartão que mensal que permite o uso tanto em trilhos como em ônibus continuará a ser vendido por R$ 230.

Um usuário que fizer 47 viagens de ônibus em um mês, tendo pago R$ 140, terá uma tarifa de  R$ 3,00 por viagem. O mesmo valor que tem pago desde 2013.

A utilização dos bilhetes temporais mais que dobrou (116%) entre 2014 e 2015, de 114 mil para 250 mil, por essa vantagem.

4 O passe livre a estudantes da rede pública não terá alterações

Estudantes da rede pública e de baixa renda têm isenção integral da tarifa, bem como aqueles de famílias de baixa renda. Há 536 mil estudantes com direito à gratuidade. Outros estudantes têm isenção de 50%.

Em novembro de 2015, alunos com gratuidade fizeram 1,09 milhões de utilizações por dia. Contando-se todos os alunos foram 1,46 milhões.

5 Desempregados têm gratuidade por 90 dias

A partir de novembro de 2015, os desempregados, que tenham terminado de receber o Seguro-Desemprego, podem receber um bilhete único gratuito com validade de 90 dias. A Prefeitura estima em 500 mil utilizações por dia.

6 Passageiros pagantes recuaram quase 10% no ano

Em 2014 e 2015, o número de passageiros por dia ficou próximo de 9,7 milhões. Entretanto, se considerarmos somente os passageiros pagantes houve um recuo em 2015 de 9,5%.

As razões apontadas para a diminuição dos pagantes são o (i) passe livre dos estudantes, (ii) a ampliação da gratuidade para idosos a partir de 60 anos e (iii) a adesão aos bilhetes temporais.

7 O custo total do transporte subiu 8% em 2015

O custo operacional total do sistema de transportes foi de R$ 600 milhões no mês de dezembro de 2014 e subiu para R$ 646 milhões em dezembro de 2015. O percentual de aumento aqui verificado foi de aproximadamente 8%.

8 O subsídio da Prefeitura será de R$ 1,91 por passageiro pagante

Se dividirmos o custo total pelo número de passageiros que pagam pelo transporte o valor da tarifa deveria ser R$ 5,71. Em 2014 era de R$ 4,77. Como a nova tarifa será de R$ 3,80, haverá um subsídio de R$ 1,91 por passageiro pagante.

9 Um em cada cinco passageiros tem gratuidade

Os pagantes de tarifa integral representam 57% do total de viagens. Devemos ressalvar que aqui estão empregados formais que têm o vale-transporte, subsidiado pelos empregadores. Os pagantes que contam com algum tipo de desconto representam 25% das viagens e os não pagantes são 18%.

A Prefeitura afirma que “mais da metade dos usuários do sistema de transportes (53%) não será impactada pela mudança na tarifa unitária, porque são beneficiários de gratuidades, usam bilhetes temporais que não terão aumento ou são trabalhadores que já pagam o limite legal de 6% do salário para o vale transporte”.

10 Gasto da Prefeitura com subsídios subirá 12%

O subsídio da Prefeitura de São Paulo ao transporte público foi de R$ 1,7 bilhão em 2015 e está previsto para R$1,9 bilhão em 2016. Esse valores representam um acréscimo de 11,76% em 2016 sobre 2015.

Nota: os dados aqui apresentados foram extraídos do Relatório Reajuste Tarifa no endereço http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/transportes/SPTrans/acesso_a_informacao/2015/RelatorioReajusteTarifa.pdf

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  • Haddad e MPL fizeram despencar apoio a protestos contra aumento das passagens | Blog da Cidadania
    15 janeiro 2016 at 16:07
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    […] irrelevante o custo do transporte público para os usuários, mas o grupo militante de esquerda Jornalistas Livres sintetizou as 10 principais medidas. Confira, abaixo, quais […]

    • Cesar Locatelli
      16 janeiro 2016 at 0:03
      Comente

      Obrigado por nos mostrar a citação de nosso artigo no Blog da Cidadania de Eduardo Guimarães.

  • Haddad e MPL fizeram despencar apoio a protestos contra aumento das passagens | bita brasil
    15 janeiro 2016 at 19:10
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    […] irrelevante o custo do transporte público para os usuários, mas o grupo militante de esquerda Jornalistas Livres sintetizou as 10 principais medidas. Confira, abaixo, quais […]

  • Vitor
    15 janeiro 2016 at 19:16
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    O comparativo foi muito bom. Agora, um ponto que sempre é levantado pelos manifestantes contra o aumento é a questão do lucro das empresas de transporte. Há algum dado sobre os custos operacionais e lucros das empresas nesses mesmos períodos (desde 2005 ou desde 2013) e sobre números de demissões de funcionários etc.? Esses dados, além de novas informações sobre o status das novas licitações também seriam importantes para aprofundar a discussão. Obrigado.

    • Cesar Locatelli
      15 janeiro 2016 at 23:55
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      Caro Vitor, o estudo que é citado no artigo traz o lucro das empresas, Talvez esclareça o que você quer. Obrigado pelo comentário.

  • Gabriel
    15 janeiro 2016 at 19:32
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    Lamentável alguém que se diz mídia livre defender os interesses da classe dominante contra os direitos da população, em nome da defesa de um partido no poder. “Jornalistas Presos”

    • Cesar Locatelli
      16 janeiro 2016 at 0:00
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      Caro Gabriel, esse artigo é o resumo de um estudo oficial da Prefeitura. Não acreditamos que divulgá-lo seja manifestar apoio ao reajuste. O objetivo era dar espaço também ao ponto de vista da Prefeitura, algo difícil nos nossos meios de comunicação. Ao mesmo tempo estamos com muita gente na rua cobrindo os atos contra a tarifa. Obrigado pelo comentário.

  • Lindberg
    15 janeiro 2016 at 23:19
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    Como sempre acontece, frações do partido da inteligência se reagrupam para defender com conteúdos vagos e meia verdades bem contadas a ordem estabelecida. É no mínimo deprimente ver um site chamado de jornalistas livres se prestar a um papel destes. Não vou perder meu tempo mostrando as estatísticas e dados quantitativos que são convenientemente recortados e colados em uma montagem que produz uma quase convincente farsa técnica. Limito-me a dizer o seguinte: o movimento passe livre não questiona o aumento de 2013, 2015 ou 2016, o que está colocado na mesa é a lógica deste sistema de transporte público. Até quando e até quanto a tarifa vai aumentar? Até quando e até quanto a prefeitura vai aumentar os subsídios? Este é o espectro de um colapso bem material e que nenhum cassetete, bomba de gás lacrimogênio ou artigo encomendado vai dissipar.

  • Gabriel
    16 janeiro 2016 at 12:39
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    “Jornalistas Presos” à Assessoria de Imprensa da Prefeitura, o que mostra este artigo. Já existe toda a mídia hegemônica para justificar os aumentos dos transportes, assim como para justificar toda a estrutura injusta para a população, do transporte “público”. Este texto é a defesa não apenas de uma administração, mas especialmente da classe dominante. Por que vocês não mostram vários argumentos a favor da Tarifa Zero ou da estatização do transporte por exemplo? O pior é pegar a ideia de Midia Livre, algo construído há anos por diversas pessoas e coletivos, para se apropriar e fazer um panfleto pró-ordem estabelecida como esse.

  • Elfellini
    17 janeiro 2016 at 19:43
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    No fim não é a prefeitura que paga, é o próprio cidadão… Ou acaba faltando pra saúde e educação.

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