13 de maio: dia das mães com resistência, garra, esperança e solidariedade

A história nos mostra exemplos de mulheres guerreiras que com suas lutas, fizeram e fazem a diferença

Para além do uso e dos interesses comerciais, o dia das mães pode ser um momento de reflexão, de homenagem e de celebração do que é ser mãe e ser mulher.

A história nos mostra exemplos de mulheres guerreiras que com suas lutas por sobrevivência, afirmação pela igualdade de gênero, exercício da liberdade de expressão, autoafirmação, lutas de resistência na defesa de direitos sociais. Com persistência e determinação em busca de seus sonhos e utopias, fizeram a diferença. Alguns exemplos de mulheres brasileiras me vêm à memória como Anita Garibaldi, Carolina de Jesus, Chica da Silva, Chiquinha Gonzaga, Cora Coralina, Elisabeth Teixeira, Olga Benário, Pagu, Nise da Silveira, Zuzu Angel, e hoje como muitas outras lideranças perseguidas e mortas, Marielle Franco.

Estamos vivendo em todo o mundo uma grave crise econômica, com a hegemonia do capitalismo financeiro e suas políticas neoliberais. Vivemos também  uma crise civilizatória que vem questionar o modo de ser da vida humana, em que estão em crise os valores com o aprofundamento das desigualdades, da impessoalidade das relações sociais com as novas formas de comunicação. Por sua vez, algumas das novas descobertas científicas e conquistas tecnológicas podem interferir de maneira decisiva na qualidade da vida, apontando  para uma sociedade mais humana e solidária ou para a destruição e para o caos…

No Brasil, com o golpe de 2016, as desigualdades sociais se aprofundaram, a intolerância de classe revelou sua face mais perversa de discriminação e ódio, a democracia está em jogo acompanhada de um descrédito generalizado da grande maioria da população nas instituições sejam elas ligadas ao aparato do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) ou aos partidos políticos e sindicatos.

Entretanto a dinâmica social que não é monolítica, não se restringe às normas e às leis e, a vida, a capacidade e a criatividade humana vão muito além. Neste dia das mães coincidindo com o dia 13 de maio, para algumas mulheres foi um dia de celebração especial de afirmação de identidade, esperança e de luta.

O dia começou logo cedo com uma reunião de mulheres da periferia que lutam por moradia e constroem suas casas em sistema de mutirão na região Noroeste de São Paulo: retomada do papel da mulher na sociedade, dos valores de solidariedade, da igualdade de direitos, lanche comunitário, homenagem das crianças às mães, resgate de valores humanos, depoimentos cheios de emoção de mulheres que se descobriram como pessoa a partir dessa luta de muitos anos pelo direito à moradia.

Mais à tarde pude presenciar um ato que me comoveu: relembrando os 130 anos em que foi assinada a “Abolição da Escravatura” uma grande farsa (até os dias de hoje a população preta e pobre é discriminada e brutalmente exterminada), o grupo Ilú Obá de Mim, composto por  aproximadamente 80 mulheres, realizou a lavagem simbólica das escadarias da 13 de Maio e saiu em linda evolução de música e dança por toda a Rua.

Foi uma manifestação muito forte de afirmação da identidade da mulher e da cultura afro-brasileira, com instrumentos, músicas e danças inspiradas em matrizes africanas.

Desde as 16hs também um grupo de mulheres realizou na calçada da Rua 13 de maio, em frente ao café Sabelucha (hostilizado por estabelecimentos vizinhos, por ter afixado faixa pela liberdade de Lula) uma ação de confecção de “Flores pela Democracia”. Este ato foi acompanhado de bate-papo sobre a conjuntura de golpe do nosso país, por panfletagem desmistificando a farsa do julgamento e prisão do Lula, troca de informações sobre outros eventos, incorporação e articulação com outras pessoas e grupos, soma de esforços e descoberta de novos caminhos e novas formas de resistência.

Enfim um dia das mães com garra, esperança e criatividade, na luta por construção de uma outra narrativa que amplie e alcance cada vez mais e mais corações e mentes: por Lula Livre, pelo direito de defesa, pela liberdade de manifestação, pela construção de utopias que apontem para uma sociedade de direitos para todos, com solidariedade e humanidade.

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